BEM VINDO!

Seja bem vindo ao LIBERO EXPRESSIONIS!


O blog para você ler, refletir, questionar e debater

o que a sociedade impõe como verdade absoluta.





CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

[...]

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...]

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

[...]

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

[...]

Powered By Blogger

Espíritos Livres

A ignorância é preferível ao erro, e está menos afastado da verdade aquele que não acredita em nada do que aquele que acredita em algo errado.” (Thomas Jefferson)

Quem sou?

Minha foto
São Gabriel, RS, Brazil
Militar do Exército Brasileiro formado pelo Escola de Saúde do Exército, Bacharel em Direito pela URCAMP, blogueiro, ATEU, livre pensador e filósofo por natureza. Procuro o equilíbrio através do conhecimento. “Pareceis inteligente de tal forma que, no dia em que errardes, sereis visto como irônico.”

Marcadores

Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de maio de 2012

RELIGIÃO, PSICOPATOLOGIA E SAÚDE MENTAL



Paulo Dalgalarrondo é professor titular de Psicopatologia da Universidade Estadual de Campinas. Suas pesquisas concentram-se nas áreas de: psicopatologia, psiquiatria cultural, saúde mental e religião, psiquiatria social, psiquiatria de crianças e adolescentes e gerontologia.
O livro acima, publicado ano de 2008, pela Artmed, é um trabalho ‘de balanço’, síntese das pesquisas que o professor realiza há cerca de quase 20 anos, segundo suas próprias palavras, referidas nas notas de agradecimento.
Na Revista de Psiquiatria Clínica, volume 35, nº 3, de 2008, está publicada uma resenha do livro acima, pelo professor Zacaria Borge Ali Ramadam.
Segue a resenha na íntegra:


"RELIGIÃO, PSICOPATOLOGIA & SAÚDE MENTAL - RESENHA

Zacaria Borge Ali Ramadam
Professor-associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)


Nesta época inflacionada por manuais e tratados de Psiquiatria, com dezenas de colaboradores, quase todos submissos ao formulário dos DSM, pode-se dizer, sem exagero, que este livro do Prof. Dalgalarrondo constitui uma pequena obra-prima da literatura psiquiátrica nacional.
Trata-se de uma obra de fôlego, produzida por um único autor, fato cada vez mais raro atualmente.
Contudo, o que mais surpreende é a densidade do trabalho, a riqueza de informações, de citações bibliográficas e a criteriosa seleção de fontes.
Como se sabe, a Psiquiatria, desde seus primórdios, passou por grandes vicissitudes e entrechoques drásticos com a esfera religiosa, sobretudo na época do Malleus Maleficarum, de triste memória.
Ao longo dos séculos permanecem vivas numerosas controvérsias, sustentadas por interpretações espiritua-listas sobre a natureza dos transtornos mentais em diversas culturas e regiões do globo.
Daí decorre a importância e atualidade do livro, considerando-se a proliferação de credos religiosos nas últimas décadas e seus rituais de exorcismo ou "curas" miraculosas.
E, não apenas isso, os credos religiosos se inserem nos planos antropológico e cultural, influindo sobremaneira no desenvolvimento psicológico e na formação da personalidade dos indivíduos.
Assim, o estudo das numerosas vertentes e intersecções entre religião, psicopatologia e saúde mental - a proposta deste livro - descortina um amplo horizonte para a Psiquiatria.
A obra consta de 11 capítulos, iniciando pelos conceitos teóricos de religião e religiosidade, com uma revisão crítica de autores clássicos como Feuerbach, Marx ("a religião é o ópio do povo"), Tylor, Frazer, Durkheim, Lévi-Strauss, Max Weber; na área de psicopatologia são revistos Freud, Jung, Lacan, Erikson, W. James, Winnicott, Bion, seguindo-se a esses numerosos autores modernos, até a última década.
Deve-se ressaltar que as idéias desses autores foram minuciosamente revistas e comentadas, denotando a familiaridade do Prof. Dalgalarrondo com os textos originais (alemão, francês e inglês), sem traduções intermediárias ou citações de segunda mão.
Adentrando o campo da psicologia da religião, a partir do capítulo 3, o autor faz um minucioso levantamento de algumas dezenas de obras (livros) mais significativas sobre o assunto, desde o século XVIII até nossos dias, seguindo-se um inventário, igualmente pormenorizado, das revistas científicas especializadas nesse campo, publicadas a partir de 1904; discorre sobre curso da vida, grupos etários, gênero e sexualidade, bem como aspectos neuropsicológicos e a formação da personalidade em correspondência com o substrato religioso vigente.
O capítulo 4, dedicado à religião, contém informações substanciais sobre o vasto panorama de católicos, evangélicos, kardecistas, umbandistas, budistas, judeus e muçulmanos da nossa população, num enfoque histórico-sociológico, sendo comentados trabalhos de pesquisa dos mais renomados autores brasileiros.
Embora todos os tópicos do livro sejam abordados com profundidade e esmero, merece destaque o capítulo sobre psicopatologia e religião, em que a distinção entre fenômenos religiosos e psicopatológicos é conduzida com grande embasamento em pesquisas científicas, sem resvalar no lugar comum da depreciação de manifestações religiosas, denotando equilíbrio e rigor científico.
Isso não surpreende, considerando-se o percurso intelectual do Prof. Dalgalarrondo: realizou seu doutorado em Heidelberg, sob orientação do Prof. Wagner Gattaz, na mesma universidade onde pontificaram Jaspers, Kurt Schneider e outros grandes psicopatologistas; é autor de um excelente livro de Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais e tornou-se, merecidamente, professor titular de Psicopatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Este livro, que ora comentamos, reflete a grande erudição do autor e seu empenho num exaustivo trabalho de pesquisa; um mergulho profundo nas melhores fontes da investigação e produção científica, neste campo tão rico de indagações e controvérsias.
Proporciona aos leitores uma riqueza de informações e conhecimentos substanciais, não apenas para os profissionais de Psiquiatria e Saúde Mental, mas para todos os interessados na reflexão sobre os fenômenos da nossa cultura.

É uma obra preciosa, para ler e reler."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A moralidade exige Deus ... ou não?



 
O artigo seguinte foi retirado da revista Free Inquiry, Volume 17, Número 3.
Escrito por Theodore Schick, Jr.

Tradução: Marcos Joel


Embora Platão tenha demonstrado a independência lógica de Deus e da moralidade há mais de 2.000 anos no Eutífron(1), a crença que a moralidade requer Deus continua a ser amplamente aceito como a moral máxima. Em particular, isto serve como pressuposto básico da teoria fundamentalista cristã social. Os fundamentalistas afirmam que todos os males da sociedade - desde a AIDS até a gravidez fora do casamento - são o resultado de uma falha na moralidade e que esta quebra se deva ao declínio na crença em Deus. Apesar de muitos fundamentalistas apontarem o início desse declínio à publicação de Charles Darwin, A Origem das Espécies (1859), outros indicam a decisão da Suprema Corte, em 1963, que proíbe a oração em sala de aula. Na tentativa de neutralizar essas supostas fontes de decadência moral, os fundamentalistas de toda a América estão procurando restaurar a crença em Deus, promovendo o ensino do criacionismo e da oração na escola.
A crença de que a moralidade necessita de Deus não está limitado a teístas, no entanto. Muitos ateus também o admitem. O existencialista Jean-Paul Sartre, por exemplo, diz que: "Se Deus está morto, tudo é permitido." Em outras palavras, se não houver nenhum ser supremo para estabelecer a lei moral, cada indivíduo é livre para fazer o que lhe agrada. Sem um legislador divino, não pode haver lei moral universal.
A idéia de que Deus cria a lei moral é muitas vezes chamado de "Teoria do Comando Divino de Ética." Segundo essa visão, o que torna uma ação correta é que Deus quer que isso seja feito. Que um agnóstico devesse entender essa suspeita teoria é evidente, pois, se alguém não acredita em Deus ou se não tem certeza que Deus é o Deus verdadeiro, ser dito que se deva fazer como os mandamentos de Deus não vai ajudar ninguém a resolver quaisquer dilemas morais. O que não é tão óbvio é que os teístas devem achar essa teoria suspeita, também, pois ela é incompatível com a crença em Deus.


O Legislador Arbitrário

Para entender melhor a importação da Teoria do Comando Divino, considere o conto seguinte:

"Parece que, quando Moisés desceu da montanha com as tábuas contendo os Dez Mandamentos, os seus seguidores lhe perguntaram o que elas revelavam sobre como deveriam viver suas vidas. Moisés disse-lhes: 'Eu tenho uma notícia boa e uma má notícia.'
'Dê-nos a boa notícia em primeiro lugar,' eles disseram.
'Bem, a boa notícia', respondeu Moisés, 'é que ele manteve o número de mandamentos abaixo de 10'.
'Ok, qual é a má notícia?' perguntaram.
'A má notícia,' Moisés respondeu: 'é que ele manteve um mandamento sobre o adultério.'
A questão é que, de acordo com a Teoria do Comando Divino, nada é certo ou errado a menos que Deus queira que seja assim. Independentemente do que ele diga. Então, se Deus tivesse decretado que o adultério era permitido, então o adultério seria admissível.
Vamos aproveitar esta linha de raciocínio até sua conclusão lógica. Se a Teoria do Comando Divino fosse verdade, então os Dez Mandamentos poderiam ter sido algo como isto:
  • Deverás matar a todos que não goste.
  • Estuprarás todas as mulheres que desejares.
  • Deverás roubar tudo o que cobiçares.
  • Deverás torturar crianças inocentes em teu tempo livre.
A razão pela qual isso é possível é que matar, estuprar, roubar e torturar não estavam errados diante de Deus que os fez assim. Uma vez que Deus é livre para estabelecer os conjuntos de princípios morais à sua escolha, ele poderia muito bem ter escolhido este conjunto como a qualquer outro.
Muitos poderiam considerar este um reductio ad absurdum(2) da Teoria do Comando Divino, pois é insensatez pensar que tal matança desenfreada, estupro, roubo e tortura poderia ser moralmente admissível. Além disso, acreditar que Deus poderia ter ordenado essas coisas é de destruir qualquer um que pudesse ter motivos para elogiar ou adorá-lo. Leibniz, em seu Discurso sobre Metafísica, explica:
"Em afirmar, portanto, que as coisas não são boas de acordo com qualquer padrão de bondade, mas simplesmente pela vontade de Deus, parece-me que se destrói, sem perceber, todo o amor de Deus e toda a sua glória. Por que elogiá-lo pelo que ele fez, se ele seria igualmente louvável em fazer o contrário? Onde vai a sua justiça e sua sabedoria se ele tem apenas um certo poder despótico, se a arbitrariedade toma o lugar da razoabilidade e se de acordo com a definição dos tiranos, a justiça consiste em o que é agradável para o mais poderoso? Além disso, parece que todo ato da vontade pressupõe alguma razão para a boa vontade e isso, naturalmente, deve preceder o ato."
Para Leibniz, se as coisas não são nem certo nem errado, independentemente da vontade de Deus, então Deus não pode escolher uma coisa em detrimento de outra, porque é certo. Portanto, se ele escolher um ou outro, sua escolha deve ser arbitrária. Mas um ser cujas decisões são arbitrárias não é um ser digno de adoração.
O fato de que Leibniz rejeita a Teoria do Comando Divino é significativo, pois ele é um dos teístas mais empenhados na tradição intelectual ocidental. Ele argumenta detalhadamente que deve haver um todo-poderoso, onisciente e bondoso Deus e, consequentemente, que este deve ser o melhor dos mundos possíveis, que tal Deus não poderia criar nada menos. Desde que Voltaire satirizou essa visão em Cândido(3), tem sido difícil para defender com seriedade. Não obstante, o que Leibniz demonstra é que, longe de ser desrespeitoso ou herético, a visão de que a moralidade é independente de Deus é uma questão extremamente sensível e fiel para um teísta manter.


Uma Teoria Vazia

Para evitar a acusação de absurdo, um teórico Comando Divino poderia tentar negar que a situação descrita acima é possível. Ele poderia argumentar por exemplo, que Deus nunca iria perdoar tal matança, estupro, roubo e tortura, porque Deus é bondoso. Mas para fazer tal afirmação a teoria torna-se vazia. A Teoria do Comando Divino é de natureza da moralidade. Como tal, ela nos diz o que faz algo ser bom oferecendo uma definição de moralidade. Mas, se a bondade é um atributo de definição de Deus, então Deus não pode ser usado para definir a bondade, pois, nesse caso, a definição seria circular - o conceito a ser definido estaria fazendo a definição - e tal definição seria pouco informativa. Se ser bondoso é uma característica essencial de Deus, então toda a Teoria do Comando Divino nos diz que as boas ações seriam desejadas por um extremo bem estar. Apesar disso ser certamente verdade, isto é ignorância. Por isso não nos diz o que torna algo bom e, portanto, não aumenta a nossa compreensão da natureza da moralidade.
Um teórico Comando Divino pode tentar evitar essa circularidade, negando que a bondade seja um atributo de definição de Deus. Mas isso iria levá-lo da frigideira para o fogo, pois se a bondade não é uma característica essencial de Deus, então não há garantia de que aquilo que ele quer vai ser bom. Ainda que Deus seja todo-poderoso e onisciente, não decorre que ele seja totalmente bondoso, pois, como nos ensina a suposta história de Satanás, ele pode ser poderoso e inteligente sem ser bom. Assim, a Teoria do Comando Divino enfrenta um dilema: se a bondade é um atributo de definição de Deus, a teoria é circular, mas se não é um atributo que o determine, a teoria é falsa. Em ambos os casos, a Teoria do Comando Divino não pode ser considerada uma teoria viável para a moralidade.
As considerações anteriores indicam que não é razoável acreditar que uma ação é correta porque Deus quer que isso seja feito. Pode ser plausível acreditar que Deus queira que uma ação seja feita por que seja certa, mas crer nisso é ter fé que a justa ação é independente de Deus. Em qualquer caso, a visão de que a lei moral requer um legislador divino é insustentável.


Deus, o Executor

Há aqueles que sustentam, no entanto, que mesmo que não seja necessário que Deus seja o autor da lei moral, é ele, contudo, imprescindível como aplicador dela, pois sem a ameaça de punição divina, as pessoas não vão agir moralmente. Mas esta posição não é mais plausível do que a Teoria do Comando Divino em si.
Em primeiro lugar, como uma hipótese empírica sobre a psicologia dos seres humanos, isto é questionável. Não há nenhuma evidência inequívoca de que os teístas são mais morais do que os não-teístas. Não somente estudos psicológicos falharam em encontrar uma correlação significativa entre freqüência de culto religioso e de conduta moral, mas os criminosos condenados são muito mais propensos a ser teístas do que os ateus.
Em segundo lugar, a ameaça de punição divina não pode impor uma obrigação moral, por que não seria o certo a fazer. Ameaças extorquem, e não criam uma obrigação moral. Assim, se nossa única razão para obedecer a Deus é o medo da punição se não o fizermos, então, do ponto de vista moral, Deus não tem direito a reivindicar a nossa lealdade mais que Hitler ou Stalin.
Por outro lado, uma vez que o auto-interesse não é uma base adequada para a moralidade, não há razão para acreditar que céu e inferno não podem executar a função reguladora muitas vezes atribuída a eles. Céu e inferno são muitas vezes entendidos como o cajado que Deus usa para nos fazer entrar na linha. O céu é a recompensa para as pessoas boas por as tê-lo sido assim, e o inferno é o castigo para as pessoas que foram más. Mas considere isto. As pessoas boas fazem o bem, porque eles querem fazer o bem - não porque elas irão se beneficiar pessoalmente com isto ou porque alguém as forçou a fazê-lo. Aqueles que fazem o bem apenas em próprio benefício ou para evitar danos pessoais não são boas pessoas. Alguém que salva uma criança se afogando, por exemplo, só porque foi oferecida uma recompensa ou foi fisicamente ameaçada não merece a nossa consideração. Desse modo, se o único motivo para a realização de boas ações é o seu desejo de ir para o céu ou o seu temor de ir para o inferno - se todas suas outras ações são motivadas puramente por interesse próprio - então você devia ir para o inferno porque você não é uma boa pessoa. Uma preocupação obsessiva com o céu ou o inferno realmente deve diminuir as chances de salvação ao invés de aumentá-las.
Os fundamentalistas percebem corretamente que padrões morais universais são necessários para o bom funcionamento da sociedade. Mas eles acreditam equivocadamente que Deus é a única fonte possível de tais normas. Filósofos tão diversos como Platão, Immanuel Kant, John Stuart Mill, George Edward Moore e John Rawls têm demonstrado que é possível ter uma moralidade universal sem Deus. Contrariamente ao que os fundamentalistas poderiam nos fazer acreditar, então, que a nossa sociedade realmente não precisa de mais religião, mas de uma noção mais rica de natureza moral.


Theodore Schick Jr., é professor de Filosofia na Muhlenberg College e co-autor (com Lewis Vaughn) de como pensar sobre coisas estranhas: Pensamento Crítico para uma Nova Era (Mayfield Publishing, 1995).


Notas do tradutor:

1 - Eutífron é um dos primeiros diálogos de Platão, datando de cerca de 399 a.C.. Ele apresenta o filósofo grego Socrates e Eutifro, conhecido como sendo um experto religioso. Eles tentam estabelecer uma definição para piedade.
2 - Reductio ad absurdum significa algo próximo a "redução ao impossível" (expressão frequentemente usada por Aristóteles), também conhecida como um argumento apagógico, reductio ad impossibile ou, ainda, prova por contradição, é um tipo de argumento lógico no qual alguém assume uma ou mais hipóteses e, a partir destas, deriva uma consequência absurda ou ridícula, e então conclui que a suposição original deve estar errada.
3 - “Cândido” é uma das obras mais conhecidas de Voltaire. O texto contrapõe ingenuidade e esperteza, desprendimento e ganância, caridade e egoísmo, delicadeza e violência, amor e ódio. Tudo isso mesclado com discussões filosóficas sobre causas e efeitos, razão e ética.

Disponível em: <http://www.secularhumanism.org/library/fi/schick_17_3.html> Acesso em 08 janeiro 2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coincidência?



                       "Não é uma coincidência extraordinária que quase todo mundo tem a mesma religião que os seus pais? E sempre acontece de ser a religião certa. Religiões funcionam nas famílias. Se tivéssemos sido criados na Grécia antiga, todos nós estaríamos adorando Zeus e Apolo. Se tivéssemos nascido Vikings, estaríamos adorando Wotan e Thor. Como isso aconteceu? Através de doutrinação infantil."
                                                                                                                    Richard Dawkins

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Improbabilidade de Deus



O artigo seguinte foi retirado da revista Free Inquiry, Volume 18, Número 3.
Escrito por Richard Dawkins

Tradução: Marcos Joel


Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolás oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets(1) judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus. As proezas da religião no passado ― cruzadas sangrentas, inquisições que praticavam a tortura, conquistadores que assassinavam em massa, missionários que destruiam culturas, resistência reforçada legalmente e até ao último momento possível a cada nova verdade científica ― são ainda mais impressionantes. E tudo isto para quê? Creio que se torna cada vez mais claro que a resposta é absolutamente para nada. Não há nenhuma razão para que acreditemos que existam quaisquer espécies de deuses e há muitas boas razões para que acreditemos que não existem e nunca existiram. Foi tudo um gigantesco desperdício de tempo e de vida. Seria uma anedota de proporções cósmicas se não fosse tão trágico.
Porque é que as pessoas acreditam em Deus? Para a maior parte das pessoas a resposta é ainda uma qualquer versão do antigo Argumento do Desígnio(2). Olhamos em volta para a beleza e complexidade do mundo ― para o movimento aerodinâmico de uma asa de andorinha, para a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; através de um microscópio para a vida fervilhante em cada gota d'água de uma lagoa; através de um telescópio para a copa de uma sequóia gigante. Refletimos na complexidade eletrônica e na perfeição óptica dos nossos olhos que vêem tudo isto. Se temos alguma imaginação, estas coisas leva-nos a um sentimento de temor e reverência. Além disso, não podemos deixar de nos impressionar com a semelhança óbvia dos órgãos vivos com os projetos cuidadosamente planeados dos engenheiros humanos. A expressão mais famosa deste argumento é a analogia do relojoeiro de William Paley, padre do século XVII. Mesmo que não soubéssemos o que é um relógio, o caráter obviamente concebido dos seus dentes e molas e de como engrenam uns nos outros para um propósito, forçar-nos-ia a concluir "que o relógio teve de ter um autor: que teve de ter existido, nalguma altura, num lugar ou noutro, um artífice ou artífices, que o concebeu com o propósito a que o vemos agora responder; que compreendeu a sua construção e concebeu o seu uso." Se isto é verdade pare um relógio relativamente simples, não é muito mais verdade do olho, do ouvido, do rim, da articulação do cotovelo e do cérebro? Estas belas, complexas e intrincadas estruturas, que foram evidentemente construídas com um propósito, tiveram de ter o seu próprio autor, o seu próprio relojoeiro ― Deus.
Tal é o argumento de Paley, e é um argumento que praticamente todas as pessoas que refletem e têm sensibilidade descobrem por elas próprias em certa altura da sua infância. Durante a maior parte da história deve ter parecido absolutamente convincente e de uma verdade auto-evidente. E contudo, como resultado de uma das mais espantosas revoluções intelectuais da história, sabemos agora que é errado ou pelo menos supérfluo. Sabemos que a ordem e a aparente intencionalidade do mundo vivo aconteceu por intermédio de um processo completamente diferente, um processo que funciona sem a necessidade de qualquer autor e que é uma consequência de leis físicas basicamente muito simples. Este é o processo de evolução por seleção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, por Alfred Russel Wallace.
O que têm em comum todos os objetos que parecem ter tido um mesmo autor? A resposta é improbabilidade estatística. Se encontramos um seixo transparente a que o mar deu a forma de uma lente imperfeita, não concluímos que teve de ser concebido por um oculista: as leis da física por si sós são capazes de alcançar este resultado; não é muito improvável que tenha meramente "acontecido". Mas se encontramos uma lente composta trabalhada, cuidadosamente corrigida contra a aberração esférica e cromática, revestida contra o brilho e com "Carl Zeiss"(3) gravado no rebordo, sabemos que não poderia ter acontecido meramente por acaso. Se pegarmos todos os átomos de uma tal lente composta e os lançarmos juntos ao acaso sob a impulsionante influência das leis comuns da física na natureza é "teoricamente" possível que, por puro acaso, os átomos se agrupem segundo o padrão da lente composta da Zeiss e até que os átomos ao redor da orla se agrupem de modo a que o nome Carl Zeiss seja gravado. Mas o número de outras formas segundo as quais os átomos poderiam, com idêntica probabilidade, ter-se agrupado é tão extremamente, imensamente, incomensuravelmente elevado, que podemos pôr completamente de lado a hipótese do acaso. Como explicação o acaso está fora de questão.
A propósito, este argumento não é circular. Pode parecer circular porque, depois da ocorrência, podemos dizer que qualquer organização particular de átomos é muito improvável. Como alguém já disse, quando uma bola cai num determinado pedaço de gramado em um campo de golfo, seria loucura exclamar: "De todos os bilhões de pedaços de gramado em que a bola poderia ter caído, caiu exatamente neste. Quão admiravelmente e miraculosamente improvável!" Claro que a falácia aqui é que a bola tinha de cair em algum lugar. Só podemos ficar admirados com a improbabilidade do acontecimento real se o determinarmos a priori: por exemplo, se um homem de olhos vendados girasse sobre si no tee(4) e acertasse na bola ao acaso conseguindo um hole in one(5). Isso seria verdadeiramente espantoso, porque o futuro da bola tinha sido estabelecido previamente.
De todas as trilhões de formas diferentes de juntar os átomos de um telescópio, apenas uma minoria poderia na realidade funcionar de forma útil. Apenas uma pequena minoria teria Carl Zeiss gravado ou, na verdade, quaisquer palavras reconhecíveis de qualquer linguagem humana. O mesmo é verdade para as partes de um relógio: de todos os bilhões de modos possíveis de os juntar, apenas uma pequena minoria dirão as horas ou farão qualquer coisa útil. E, claro, o mesmo é verdade, a fortiori(6), para as partes dos corpos vivos. De todos os trilhões de trilhões de modos de juntar as partes de um corpo, apenas uma minoria infinitesimal viverão, procurarão comida, comerão e se reproduzirão. É verdade que há muitas formas diferentes de estar vivo ― pelo menos dez milhões de formas diferentes, se contarmos o número de espécies diferentes que estão atualmente vivas ― mas, por mais formas de estar vivo que possam existir, de certeza que há muito mais de estar morto!
Podemos com segurança concluir que os corpos vivos são bilhões de vezes muito complicados ― muitíssimo estatisticamente improváveis ― para terem surgido por puro acaso. Como é que surgiram, então? A resposta é que o acaso entra na história, mas não um único e exclusivo ato de acaso. Em vez disso, toda uma série de pequenos passos ocasionais, cada um suficientemente pequeno para ser um resultado credível do seu predecessor, ocorreram uns atrás dos outros em sequência. Estes pequenos passos do acaso são causados por mutações genéticas, mudanças fortuitas ― erros de fato ― no material genético. Originam mudanças na estrutura corporal existente. A maior parte dessas mudanças são perniciosas e levam à morte. Uma minoria revelam-se pequenas melhorias, que conduzem a um aumento da sobrevivência e da reprodução. Por este processo de seleção natural, as mudanças ao acaso que se revelam no fim de contas benéficas espalham-se pela espécie e tornam-se a norma. O cenário está agora montado para a próxima pequena mudança no processo evolutivo. Depois de, digamos, um milhar destas pequenas mudanças em série, cada mudança fornecendo a base para a próxima, o resultado final tornou-se, por um processo de acumulação, demasiado complexo para ter surgido num único ato de acaso.
Por exemplo, é teoricamente possível que um olho se forme do nada, num único passo de acaso: digamos que a partir da pele nua. É teoricamente possível no sentido em que poderíamos escrever uma receita com a forma de um grande número de mutações. Se todas estas mutações acontecessem simultaneamente, poderia mesmo surgir do nada um olho completo. Mas embora seja teoricamente possível, é na prática inconcebível. A quantidade de acaso que envolve é demasiada. A receita "correta" envolve mudanças num enorme número de genes simultaneamente. A receita correta é uma combinação particular de mudanças em trilhões de combinações de acasos igualmente prováveis. Podemos certamente excluir uma tal miraculosa coincidência. Mas isto é perfeitamente plausível que o olho moderno se tenha formado a partir de algo que fosse quase igual ao olho moderno mas não exatamente igual: um olho ligeiramente menos elaborado. Pelo mesmo argumento, este olho ligeiramente menos elaborado formou-se a partir de um ainda menos elaborado, etc. Se assumirmos um número suficientemente grande de pequenas diferenças entre cada estágio evolutivo e o seu predecessor, somos capazes de derivar um olho completo, complexo, a funcionar, a partir apenas da pele. Quantos estágios intermediários podemos registrar? Isso depende do tempo de que dispusermos. Houve tempo suficiente para os olhos evoluírem por pequenos passos a partir do nada?
Os fósseis dizem-nos que a vida evoluiu na Terra há mais de 3.000 milhões de anos. Para a mente humana é quase impossível apreender tal imensidão temporal. Nós, natural e felizmente, tendemos a ver a nossa própria expectativa de vida como razoavelmente longa, mas não podemos esperar viver nem sequer um século. Passaram 2.000 anos desde que Jesus viveu, tempo suficiente para desfocar a distinção entre história e mito. Podemos imaginar um milhão de períodos desses colocados lado a lado? Suponhamos que queremos escrever toda a história num longo e único livro. Se amontoássemos toda a história da Era Comum numa parte do livro, que tamanho teria a parte do livro da Era pré-Comum até ao começo da evolução? A resposta é que a parte do livro da Era pré-Comum estender-se-ia de Milão a Moscovo. Pensemos nas implicações disto para a quantidade de mudanças evolutivas que podem ser incluídas. Todos as raças de cães domésticos ― pequineses, poodles, spaniels, São Bernardos e chihuahuas ― provieram de lobos num espaço de tempo medido em centenas ou no máximo milhares de anos: não mais que dois metros ao longo da estrada de Milão para Moscovo. Pensemos na quantidade de mudança envolvida na passagem de lobo a pequinês; agora multipliquemos essa quantidade de mudança por um milhão. Quando olhamos para isto dessa maneira, torna-se fácil acreditar que um olho pode ter evoluído por pequenos passos a partir do nada.
É preciso ainda convencermo-nos de que cada um dos mediadores na rota da evolução, digamos da mera pele para um olho moderno, teria sido favorecido pela seleção natural; teria sido um progresso em relação ao seu predecessor na sequência ou pelo menos teria sobrevivido. Não serviria de nada provarmos a nós mesmos que existe teoricamente uma cadeia de mediadores quase perceptivelmente diferentes levando a um olho se muitos desses mediadores tivessem morrido. Afirma-se às vezes que as partes de um olho têm de estar todas reunidas ou o olho não funcionará. Metade de um olho, diz o argumento, não é melhor que nenhum olho. Não podemos voar com metade de uma asa; não podemos ouvir com metade de um ouvido. Portanto, não pode ter existido uma série de passos intermédios conduzindo ao olho, asa ou ouvido modernos.
Este tipo de argumento é tão ingênuo que podemos apenas perguntar-nos quais os motivos subconscientes para acreditar nele. É obviamente falso que meio olho seja inútil. As pessoas que sofrem de cataratas a quem removeram cirurgicamente os cristalinos não podem ver muito bem sem óculos, mas ainda assim estão muito melhor do que as pessoas que não têm quaisquer olhos. Sem o cristalino não é possível focar uma imagem detalhada, mas é possível evitar chocar com obstáculos e seria possível detectar a sombra vaga de um predador.
Quanto ao argumento segundo o qual não podemos voar com apenas metade de uma asa, é refutado por um grande número de animais planadores bem sucedidos, incluindo mamíferos de gêneros muito diferentes, lagartos, rãs, cobras e lulas. Muitos gêneros diferentes de animais que vivem nas árvores têm camadas de pele entre as suas articulações que são de fato asas fracionadas. Se você cair de uma árvore, qualquer pele extra ou alisamento do corpo que aumente a sua área de superfície pode salvar-lhe a vida. E, por muito pequenas ou grandes que as suas abas de pele possam ser, haverá sempre uma altura crítica tal que, se você cair de uma árvore dessa altura, a sua vida poderia ter sido salva por precisamente um pouco mais de área de superfície. Portanto, quando os nossos descendentes desenvolverem essa área de superfície extra, as suas vidas serão salvas precisamente por um pouco mais, mesmo que caiam de árvores de uma altura ligeiramente maior. E assim sucessivamente, por passos imperceptivelmente graduados até que, centenas de gerações depois, chegamos a asas completas.
Os olhos e as asas não podem surgir num passo único. Isso seria como ter a sorte quase infinita de acertar na combinação que abre a caixa-forte de um grande banco. Mas se girarmos os discos da fechadura ao acaso e, de cada vez que nos aproximarmos um pouco mais do número da sorte, a porta da caixa-forte rangendo abrir outra ranhura, em breve teremos a porta aberta! Na essência, é esse o segredo de como a evolução por seleção natural realiza o que pareceu impossível. Coisas que não podem plausivelmente ser derivadas de predecessores muito diferentes podem muito bem serem derivadas de predecessores apenas parecidos. Contanto que haja uma série suficientemente longa de predecessores ligeiramente diferentes, podemos derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa.
Portanto, a evolução é teoricamente capaz de fazer o trabalho que antigamente parecia ser uma prerrogativa de Deus. Mas há alguma prova de que a evolução tenha de fato acontecido? A resposta é sim; a prova é esmagadora. Milhões de fósseis encontram-se nos lugares e à profundidade exata a que devemos esperar que estejam se a evolução aconteceu. Nem um único fóssil foi alguma vez encontrado num local em que a teoria da evolução não previsse que estivesse, embora isto pudesse ter acontecido com muita facilidade: um fóssil de um mamífero tão antigo que os peixes ainda não existissem, por exemplo, seria suficiente para refutar a teoria da evolução.
Os padrões de distribuição dos animais e das plantas pelos continentes e ilhas do mundo são exatamente os que seriam de esperar que fossem se eles tivessem evoluído de antepassados comuns a passos lentos e graduais. Os padrões de semelhança entre animais e plantas são exatamente o que esperaríamos se alguns fossem entre si primos próximos, e outros mais distantes. O fato do código genético ser o mesmo em todas as criaturas vivas sugere esmagadoramente que todas descendem de um único antepassado. As provas a favor da evolução são tão conclusivas que a única forma de salvar a teoria da criação é assumir que Deus deliberadamente colocou enormes quantidades de provas para fazer com que parecesse que a evolução ocorreu. Por outras palavras, os fósseis, a distribuição geográfica dos animais e tudo isso, são todos uma emorme anedota. Alguém quer adorar um Deus capaz de tal embuste? É certamente muito mais respeitoso, assim como mais sensato do ponto de vista científico, tomar as provas pelo seu valor facial. Todas as criaturas vivas são primas umas das outras, descendem de um antepassado remoto que viveu há mais do que 3.000 milhões de anos.
Por conseguinte, o Argumento do Desígnio foi destruído como razão para acreditar em Deus. Existem outros argumentos? Algumas pessoas acreditam em Deus por causa do que sentem ser uma revelação interior. Tais revelações nem sempre são edificantes mas para a pessoa em questão são sem dúvida sentidas como reais. Muitos habitantes de hospícios têm uma fé inabalável em que são Napoleão ou, na verdade, o próprio Deus. Não há dúvida do poder de tais convicções para quem acredita nelas, mas isto não é razão para que o resto de nós acredite. Na verdade, uma vez que essas crenças são mutuamente contraditórias, não podemos acreditar nelas.
É preciso dizer um pouco mais. A evolução por seleção natural explica muitas coisas, mas não poderia ter começado do nada. Não poderia ter começado sem que houvesse algum gênero de reprodução e de hereditariedade. A hereditariedade moderna baseia-se no código de DNA, que é ele mesmo demasiado complicado para ter surgido espontaneamente por um único ato do acaso. Isto parece significar que teve de existir algum sistema hereditário anterior, agora desaparecido, que era suficientemente simples para ter surgido por acaso e pelas leis da química e que forneceu o meio no qual uma forma primitiva de seleção natural cumulativa pôde começar. O DNA foi um produto posterior desta seleção primitiva e cumulativa. Antes deste gênero original de seleção natural, houve um período em que foram construídos compostos químicos complexos a partir de compostos químicos mais simples e antes desse um período em que os elementos químicos foram feitos a partir de elementos mais simples, seguindo leis físicas bem compreendidas. Antes disso, em última instância foi tudo construído de hidrogênio puro no imediato seguimento do big bang que iniciou o universo.
Há a tentação de defender que, embora Deus possa não ser necessário para explicar a evolução da ordem complexa uma vez que o universo, com as suas leis fundamentais da física, tenha começado, precisamos de um Deus para explicar a origem de todas as coisas. Esta ideia não deixa Deus com muito o que fazer: somente iniciar o big bang, e em seguida sentar-se e esperar que tudo aconteça. O físico-químico Peter Atkins, no seu livro maravilhosamente escrito, The Creation (A Criação), postula um Deus preguiçoso que se esforçou por fazer tão pouco quanto possível para iniciar tudo. Atkins explica como cada passo na história do universo seguiu, por simples lei física, o seu predecessor. Reduziu assim a quantidade de trabalho que o criador preguiçoso precisaria fazer e no fim de contas concluiu que de fato não precisaria fazer nada!
Os detalhes da fase inicial do universo pertencem ao reino da física e eu sou biólogo, mais interessado nas últimas fases da evolução em complexidade. Para mim, o ponto importante é que, mesmo se o físico precisa postular um mínimo irredutível que teve de estar presente no começo, para que o universo começasse, esse mínimo irredutível é certamente extremamente simples. Por definição, as explicações construídas sobre premissas simples são mais plausíveis e mais satisfatórias do que as explicações que têm de postular começos complexos e estatisticamente improváveis. E dificilmente poderemos encontrar algo mais complexo do que um Deus Todo-Poderoso!

Richard Dawkins é Professor em Oxford de Compreensão Pública da Ciência. É o autor de O Relojoeiro Cego (no qual este artigo se baseia em parte) e A Escalada do Monte Improvável. Ele é editor sênior do Free Inquiry.

Notas do tradutor:
1 – Shohet: rabino habilitado a abater animais segundo os rituais kasher.
2 - O argumento do desígnio é um dos argumentos mais usados pelos teístas para defender a existência de Deus. De acordo com este argumento, o modo regular, ordenado e complexo como o universo está organizado revelam o desígnio de um ser divino criador do universo.
3 - Carl Zeiss (Weimar, 11 de setembro de 1816 — Jena, 3 de dezembro de 1888) foi um inventor alemão na área da óptica.
4 - Um tee (T) é um suporte utilizado para suportar uma bola parada para que o jogador pode golpeá-lo, especialmente no golfe, tee ball, futebol americano e rugby. Refere-se também a área em que o artefato é colocado.
5 - Hole in one é a jogada na qual o golfista acerta a bola no buraco com apenas uma tacada.
6 - A fortiori é o início de uma expressão latina - a fortiori ratione - que significa "por causa de uma razão mais forte", ou seja, "com muito mais razão". Indica que uma conclusão deverá ser necessariamente aceite, já que ela é logicamente muito mais verdadeira que outra que já o foi anteriormente.

Disponível em: <http://www.secularhumanism.org/library/fi/dawkins_18_3.html> Acesso em 06 janeiro 2012.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O ANTICRISTO - Friedrich Wilhelm Nietzsche


Para a maioria das pessoas posso parecer um louco, um desvairado, um revoltado contra as regras deste imundo sistema a serem seguidas. Regras estas impostas de forma sanguinária e criminosa sobre a nossa sociedade. Também entendo ser esta uma luta quase solitária, pois a religião, esta praga, está encravada no seio da formação societária através dos séculos, está enraizada profundamente sendo quase impossível desenterrá-la para que, esta, seque e morra. A Igreja moldou nossa história a ferro e fogo e, hoje, sentimos ainda o peso de seus dogmas em nossas vidas.
Para quem está me entendendo, cito abaixo alguns trechos do livro de Friedrich Nietzsche "O Anticristo", um dos livros mais sensatos que tive o prazer em ler e compreender. Sem dúvida alguma, Nietzsche foi um dos maiores filósofos e psicólogos de todos os tempos.

Boa leitura!


*********************************************************

O ANTICRISTO

                                                   Friedrich Nietzsche



PREFÁCIO

Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu “Zaratustra”: como eu poderia misturar-me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? – Somente os dias vindouros me pertencem. Alguns homens nascem póstumos.
As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...
Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo...


I

– Olhemos-nos face a face. Somos hiperbóreos(1) – sabemos muito bem quão remota é nossa morada. “Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos”: mesmo Píndaro, em seus dias, sabia tanto sobre nós. Além do Norte, além do gelo, além da morte – nossa vida, nossa felicidade... Nós descobrimos essa felicidade; nós conhecemos o caminho; retiramos essa sabedoria dos milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu? – O homem moderno? – “Eu não conheço nem a saída nem a entrada; sou tudo aquilo que não sabe nem sair nem entrar” – assim suspira o homem moderno... Esse é o tipo de modernidade que nos adoeceu – a paz indolente, o compromisso covarde, toda a virtuosa sujidade do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur(2) de coração que tudo “perdoa” porque tudo “compreende” é um siroco(3) para nós. Antes viver no meio do gelo que entre virtudes modernas e outros ventos do sul!... Fomos bastante corajosos; não poupamos a nós mesmos nem os outros; mas levamos um longo tempo para descobrir aonde direcionar nossa coragem. Tornamo-nos tristes; nos chamaram de fatalistas. Nosso destino – ele era a plenitude, a tensão, o acumular de forças. Tínhamos sede de relâmpagos e grandes feitos; mantivemo-nos o mais longe possível da felicidade dos fracos, da “resignação”... Nosso ar era tempestuoso; nossa própria natureza tornou-se sombria – pois ainda não havíamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta...


II

O que é bom?Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.

O que é mau? Tudo que se origina da fraqueza.

O que é felicidade?A sensação de que o poder aumenta – de que uma resistência foi superada.

Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(4), virtude desvinculada de moralismos).
Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.
O que é mais nocivo que qualquer vício? – A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos – O CRISTIANISMO...

1 – Os Gregos acreditavam que no extremo Norte da Terra vivia um povo que gozava de felicidade eterna, os hiperbóreos, que nunca guerreavam, adoeciam ou envelheciam. Sem a ajuda dos Deuses, seu território era inalcançável. (N. do T.)
2 – Grandeza.
3 – Vento asfixiante, quente e empoeirado originário de desertos. (N. do T.)
4 – “Vir”, em latim, significa “varão”, “homem”. Ou seja, “virtu”, neste “sentido da Renascença”, designa qualidades viris como força, bravura, vigor, coragem, e não humildade, compaixão, etc. (N. do T.)


[ ... ]


LEI CONTRA O CRISTIANISMO

Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).
Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo.

Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.

Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Consequentemente, o maior dos criminosos é filósofo.

Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.

Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.

Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.

Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.

Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.

Religião: A Praga dos tempos.


Por Edu Gomes
Fundador e editor do Cabeça de Blogger


Um caso que chocou milhões de pessoas de bem em todo o mundo. O caso da mulher iraniana que foi condenada à morte por apedrejamento devido ao adultério conforme previsto nas leis daquele país.
Os homens que cometem adultério são enterrados até a cintura e as mulheres até o peito. As pedras não podem ser muito grandes ao ponto de matar de imediato e nem tão pequenas ao ponto de não matar. Elas devem ter um tamanho calculado para gerar dor, muita dor e consequentemente a morte.
A multidão sedenta por sangue, se reúne em local público para presenciar um dos atos mais bárbaros que já vi. Multidão que com certeza é tão pecadora ou mais pecadora que o condenado.
Um ato sanguinário. Não podemos qualificar esses assassinos, em nome de seu próprio deus, de animais, pois isso seria uma ofensa aos pobres seres "teoricamente" irracionais.
Matar em nome de um deus. Que deus é esse que tem como doutrina a morte e o sacrifício de vidas? Esse é o deus da religião e não o deus do amor.
A cada dia que passa me convenço de que a religião é algo imundo. A religião foi inventada por demônios. A religião só serve para gerar indiferenças entre os homens. deus está acima de qualquer religião e de todos os homens.
Em nosso cotidiano é comum presenciarmos casos e mais casos de indiferenças, críticas e rotulações de seres que não têm uma religião ou que são de uma outra crença.
Pobres aqueles que acham que apenas sua presença aos domingos na missa é a salvação e a garantia de ingresso no reino dos céus. Muitas pessoas agem como se deus só nos olhasse dentro da igreja, e nas ruas mudam completamente os seus comportamentos.
O religião levou o homem bomba a explodir-se e explodir todos os inocentes ao seu redor. A religião levou o Bin Laden a jogar aviões lotados de gente inocente no World Trade Center. A religião faz com que nossos filhos cresçam encarando o próximo como ser inferior.
Deus não é uma luz. Jesus não foi um homem ou uma mulher. Jesus não foi branco e nem foi preto. Jesus foi (se é que realmente foi) apenas Jesus.
Não tenho medo de admitir que tenho dúvidas sobre as formas, sexo e jeito que provavelmente Jesus Cristo teve em sua provável existência. Para mim isso não importa. O mais relevante é a mensagem que foi deixada para toda a eternidade com o intuito de aproximar as raças e pregar a necessidade e relevância do amor ao próximo.
Quando pensamos em deus pensamos em uma luz, em um clarão. Olhe-se no espelho e lá verás deus. O bom filho, o bom pai, a boa mãe, o bom amigo, o bom irmão, a boa comida, a boa água. Tudo isso é deus.
Acredito que olhar para o céu é apenas algo cultural e folclórico, já que crescemos aprendendo que Deus mora lá. Mas do céu só cai chuva. Deus não está no céu. Deus é nada mais nada menos que o amor, respeito e harmonia entre os homens. Onde há paz, estará um deus.
Quanto mais forte a sua fé e quanto maior for o seu respeito ao o próximo, mais presente Ele estará em sua vida, sem a necessidade de religião.
Nenhum ser humano de carne e osso na terra pode julgar a mim ou a ti. Eu simplesmente não aceito ser julgado por seres semelhantes a mim. Se eu erro todos erram. Se for para morrer por erros, que morra a desumana raça humana inteira.
Ridiculamente fala-se em fim dos tempos ou fim do mundo. Quem espera pelo fim do mundo pode considerar-se um ser totalmente mal informado, imbecil, um doente fanático ...
Será que todas as barbaridades que assistimos diariamente na TV não são ótimos exemplos de fim do mundo? Será que apedrejar mulheres e homens por adultério não é o fim do mundo?
Enquanto vivermos em nosso conforto familiar saudável e feliz, talvez o fim do mundo seja algo impossível. Tudo isso graças a nossa habilidade natural de não sentir ou se importar com a vida alheia, um dos maiores dons adquiridos pela raça humana. Só sabemos que dói quando jogam as pedras em nossas cabeças.
Se tudo o que é dito na bíblia for um dia cumprido, eu tenho pena de mim mesmo e mais: tenho pena de vocês.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DIFERENÇAS ...


- Vocês sabem qual a diferença entre o Diabo e um Ateu?
O Diabo crê em Deus ...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ALGUMAS DAS RELIGIÕES MAIS CONHECIDAS NO MUNDO



Caros Livres Pensadores

A título de curiosidade, fiz um ligeiro apanhado sobre algumas das religiões conhecidas na atualidade. Não pretendo, de forma alguma, aqui, realizar uma aprofundada exposição e esgotar o assunto. A ideia principal é apenas mostrar a ponta do iceberg, que o fato de você crer em algum deus ou ente superior não mostra que é você e sua crença que estejam certos. Olhando, brevemente, através de cada filosofia religiosa, enxerga-se o mundo de uma outra forma. Contudo, por causa de mentes doentias, perturbadas, FANÁTICAS, aquele que não confraterniza com o mesmo pensamento de você, torna-se um opositor, um infiel, um descrente.
Caros amigos, compreendam uma coisa: não existem somente "meia dúzia" de livros sagrados no mundo. Devemos ter conhecimento das outras maneiras de entender nosso mundo, absorver toda informação, filtrá-la e após, sim, esboçar uma opinião sobre fato concreto. Ninguém pode ter a pretensão que o seu modo de entender é o único que pode explicar tudo.
Todo o texto abaixo foi retirado de sites e do Wikipédia. Lembrem-se, é apenas uma simples elucidação. Espero que gostem.

Mas, o que é, de fato, religião?
Religião é um conjunto de crenças que compartilham códigos morais e fazem uso de forças sobrenaturais, divinas, sagradas e transcendental. No budismo e no hinduísmo a religião é chamada como dharma. As religiões podem ser monoteístas, crendo na existência de apenas um deus, ou politeístas, crendo em dois ou mais deuses. Deus, para as religiões, é um ser intocável e de percepção impossível diante os sentidos do homem, capaz de causar acontecimentos imprevisíveis e impossíveis. Podemos dizer que há duas divisões para os religiosos: sacros e profanos. Os sacros são aqueles ou aquilo que mantêm uma relação com Deus, já os profanos são aqueles ou aquilo que não mantêm nenhuma ligação. Então a ação de profanar, é tido como inconcebível para os religiosos. É ainda confuso a definição exata de RELIGIÃO.

Aos desavisados ou àqueles que não gostam muito de pesquisar, são nove (09) as principais religiões no mundo. Segue um breve esboço sobre elas:


- CRISTIANISMO: com cerca de 2.100.000 de adeptos, essa é a religião mais comum e mais polêmica. Monoteísta, baseia-se nos ensinamentos de Jesus, estes recolhidos no Evangélio, parte do Novo Testamento. Para os cristãos, Jesus é o messias e por ele fazem referência como Jesus Cristo. Nasceu no século I como seita do judaísmo, compartilhando textos como o Tanakh, denominado pelos cristões como Velho Testamento. É considerado uma religião abraâmica. Acreditam na vida após a morte e na salvação para a vida eterna. Os cristões se reúnem em Igrejas. As Igrejas são dividas em Católica, Protestante e Ortodoxa. É nesse ponto que muitos costumam errar na nomeclatura. Catolicismo, ortodoxismo e outras denominações não são religiões, e sim igrejas de uma única religião. Jesus, para ele é humano e divino. Crêem na trindade (doutrina para Deus em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo) e na ressureição.

Denominações: Nestorinanismo, Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Ortodoxa, Igreja Católica, Anglicanismo, Protestanismo, Anabaptistas, Restauracionismo.
No Protestanismo, são distintos históricos: luteranos, anglicanos, presbiterianos, metodistas, batistas. Distintos pentecostais: Assembleias de Deus, O Brasil para Cristo, Congregação Cristã, Igreja Cristã Maranata e a Igreja do Evangelho Quadrangular. Distintos neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Evangélica Cristo Vive, Igreja Cristo Vive, Manancial Vida, Igreja de Nova Vida, Comunidade Cristã, Igreja Bola de Neve e a Igreja Unida, entre outras.




- ISLÃ (OU ISLAMISMO OU ISLÃO): A segunda mais importante religião, chegando a 1.300.000 de adeptos. Monoteísta, surgiu no século VII na Península Arábica, baseada nos ensinamentos do profeta Maomé e na escritura sagrada do Alcorão. Para os muçulmanos, a religião nasceu quando Adão surgiu, ou seja, desde o nascimento, onde foi o primeiro profeta, Maomé então seria o último. Para chegar à salvação, basta acreditar em um único Deus (Chahada), rezar cinco vezes ao dia (Salá), cumprir um jejum anual no mês do Ramadã (Saum), pagar dádivas rituais (Zakat) e ir ao menos uma vez à Meca peregrinar (Haj). O Deus chama-se Alá, e crêem em anjos de Alá. Crêem também nos livros sagrados de Torá, Salmos e Evangelho. O Alcorão é o livro sagrado. Acreditam no dia do julgamento final e na predestinação.
Denominações: Sunitas, Xiitas e Kharijitas.


- HINDUÍSMO (OU SANĀTANA DHARM): tradição religiosa originada do subcontinente indiano que abrange o bramanismo, crendo na Alma Universal. Dentre as seis divisões históricas (darshanas), somente duas sobrevivem, a Ioga e Vedanta. As principais divisões hoje são: vixnuísmo, xivaísmo, smartismo e shaktismo. Os temas discutidos pelos religiosos são o dharma (ética hindú), samsara (ciclo nascimento, morte e renascimento), karma (ação e reação), moksha (libertação do samsara) e as iogas. São os quatro objetivos de vida (purushartha): kama, artha, dharma e moksha. São os quatro estágios da vida humana: Brahmacharya, Grihasthya, Vanaprastha e Sanyasa. O hinduísmo é fortemente lembrado como a mais antiga tradição religiosa. Crêem no caminho eterno e no ioga (união). As vacas são sagradas porque na antiguidade o povo védico necessitava delas para seus sustentos, como a produção de laticínios e a aragem. Por isso, cerca de 30% dos hindus são vegetarianos. Suas formas de adoração são os murtis e mantras. O Hinduísmo não é politeísta, mas não é um monoteísmo restrito.




- BUDISMO: mais que uma religião, é uma filosofia baseada nos ensinamentos de Sidarta Gautana. Conta com certa de 380 milhões de seguidores, é uma religião conhecida em todo mundo pela sua cultura. Para certos pesquisadores e estudantes, o budismo pode não ser considerado como religião, porque não existe um Deus criador, dogmas e proselitismo. O budismo é o caminho para o crescimento espiritual, através dos ensinamentos de Buda. Seus ensinamentos básicos: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a mente, objetivando o fim do ciclo de sofrimento (samsara) e o caminho da libertação (nirvana). Para se eliminar a dor, deve-se eliminar o desejo. Os treinamentos mentais destinguem a disciplina moral (sila), a concentração meditativa (samadhi) e a sabedoria (prajiña). Os budistas não negam a existência de seres sobrenaturais, mas não atribuiem-os tributos de criação ou destruição. Os símbolos do budismo são a flor de lótus e a cruz suática.




- SIKHISMO: Religião monoteísta fundada em Penjab por volta do século XV pelo Guru Nanak. Baseado nos ensinamentos de 10 Gurus e tendo Guru Granth Sahib como 11° e último Guru, um livro sagrado. Deus, para os adeptos, não possue forma e é eterno, e é o criador do mundo e dos seres. O sikhismo explica que o homem é separado de deus no ciclo do renascimento (samsara) devido ao egocentrismo. Acreditam no karma (pensamentos positivos geram ações positivas) e que ações negativas geram infelicidade e renascimento para seres inferiores (animais, plantas etc.). Os templos recebem nome de Gurdwaras. Um rito comum: ao nascer, o bebê é levado a uma gurdwara e é aberto uma página qualquer do Guru Granth Sahib. Então, o nome da criança começará com a primeira letra da primeira palavra da página esquerda do livro. Os homens e mulheres que cortam seus cabelos são chamados de patit, ou renegados. Pussui cerca de 23 milhões de adeptos.




- JUDAÍSMO: Religião do povo Judeu e mais antiga das principais religiões monoteístas, surgiu da religião mosaica. O Deus é chamado de YHWH, Adonai ou HaShem. Segundo os judeus, Israel foi escolhido para receber o Torá (ensinamentos desse deus). Deus é um criador ativo e de influência, e o judeu é o único com linhagem para ter um pacto eterno com Deus. É comum o uso do hebráico como língua litúrgica. Cerca de 15 milhões de adeptos, os judeus não são obrigados a seguir o judaísmo, mesmo que o judaísmo só possa ser praticado por judeus. Acreditam na ressureição e na vida além-morte.



- ESPIRITISMO: Crêem na existência de um espírito imortal, na reencanação e na intermediação entre o mundo espiritual e o mundo real através de um Médium. Para os espíritas, o homem é um espírito ligado a um corpo através de uma alma. Esse espírito é imortal e a reencarnação é o processo natural que permite vidas sucessivas. Cerca de 15 milhões de adeptos. No Brasil, é comum vermos o Candomblé e a Umbanda, que são cultos afro-brasileiros que possuem ligações com a Doutrina Espírita.
Denominações: Espiritismo Kardecista, Cultos Afro-brasileiros, Racionalismo Cristão, Espiritismo Ramatisiano, Conscienciologia e Renovação Cristã.



- FÉ BAHÁ’I: Fundada por Bahá’u'lláh em 1844 na antiga Pérsia. Não possui dogmas, rituais, clero e sacerdócio. Os seguidores são chamados como Bahá’u'lláh e baseam-se no contínuo progresso da civilização e no respeito à humanidade. É uma religião monoteísta e crêem que Deus é o criador de tudo e de todos. Deus é eterno e inacessível. Os Manifestantes de Deus são mensageiros divinos e vieram para educar a humanidade. Acreditam ser a religião única e verdadeira e para isso, religião é uma palavra que não tem plural. É extremamente contra qualquer tipo de preconceito ou desrespeito à humanidade, como a extremidade entre ricos e pobres, guerras e corrupções. Possui um calendário com 19 meses com 19 dias cada, completando um ano a cada 365 dias. Os Bahá’ís são perseguidos em países islâmicos. Obtém cerca de 7 milhões de adeptos.




- JAINISMO (OU JINISMO): Uma das religiões mais antigas da Índia. Como o budismo, crêem em um único Deus mas não atribuem a ele atributos de necessidade e figura central. Acredita-se que surgiu no século V a.C. devido as ações de Mahavira. Constitui cerca de 4 milhões de adeptos, que devem combater a paixões em busca da libertação. Uma visão duelista, é necessário ascetismo para a purificação. O tempo é infinito e cíclico. O universo é dividido em cinco mundos habitados por determinados seres. O universo é eterno e não foi criado por nada e ninguém e os mundos são Siddhashila (onde habitam as almas libertadas), Madhyaloka (possuem continentes e um deles onde o ser humano habita), Adholoka (sete infernos), Nigoda (habitado por seres inferiores).

Algumas que não foram enquadradas como principais, mas que também possuem cultura e éticas profundas e concretas:
  • Zoroatrismo
  • Sabeísmo
  • Confucionismo
  • Judaísmo
  • Protestantismo
  • Taoísmo
  • Xintoísmo
  • Wicca
  • Paganismo
  • Satanismo
  • Tenrikyo
  • Thelema
  • Testemunhas de Jeová
  • Messiânica

Observem no mapa o qual mostra a distribuição das maiores religiões no mundo.
Pense: E se você tivesse nascido em outra parte do planeta, qual seria seu "deus"

Fonte:

Direção Perigosa? Acalme-se.